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Bonjour à tous et à toutes! Nesta sessão você encontra textos sobre cidades francófonas produzidos por professores, alunos e ex-alunos de nosso curso. Você encontra também novidades sobre filmes, livros e jogos em francês. Leia um pouco e divirta-se.

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Lille – bem-vindos a casa dos Ch'tis!

por: Isabel Meunier, 22 anos , estudante de Direito

categorias: dis-donc, cidades

Quando cheguei a Lille, a primeira coisa que me disseram foi: "em Lille, chove a toda hora, mas os Lillois têm o sol no coração". Um chavão sentimentalista para amenizar esse tempo cinza, pensei. De qualquer forma, não tinha medo dessa garoa renitente, tão curiosa estava para descobrir essa cidade de nome de bruxa e horizonte de tijolos.

E isso não demorou a acontecer: Lille se abre delicadamente a todos aqueles que se propõem a descobri-la. As pessoas são abertas, simpáticas, calorosas – como em nenhum outro lugar da França. Alias, não importa aonde você for em território francês, quando você diz que vem de Lille, recebe respostas entusiasmadas e acompanhadas de um sorriso, normalmente afirmando tratar-se de uma cidade em movimento. E Lille é uma cidade perenemente em movimento, uma cidade que pulsa. Lille é cheia de bares acolhedores e autênticos, cada um com sua energia própria. Você pode escolher entre dançar uma valsa num baile típico francês, um tango na Vieille Bourse, uma música do Senegal com senegaleses...

Porque Lille é uma cidade, antes de tudo, cosmopolita. Situada na encruzilhada dos caminhos entre Bruxelas, Paris, Londres e Amsterdam, ela é naturalmente aberta ao plural. Lille é de todas as cores. Andando por suas ruas, podem-se observar dezenas de sotaques que convergem para uma mesma direção: o ch'ti, esse estranho sotaque proveniente, na verdade, do dialeto outrora falado na região.

Lille é também a cidade da fanfarra. Acordeons que se misturam às tubas, trompetes e aos dançarinos amadores em ocasião das grandes festas locais, como a Braderie, a Festa da Musica, a Festa da Sopa e mesmo o Carnaval. Não é que a multidão esteja na rua, é que a rua pertence à multidão.

E, sobretudo, não esqueçamos, ela é a cidade da cerveja. Lille deixa de lado a tradição francesa do vinho e faz as honras da região de Flandres. As cervejas são variadas, especiais, fortes ou fracas, amargas ou açucaradas, temperadas, coloridas. Beber cerveja se torna um ato de experimentação, e obviamente de prazer.

No entanto, não é apenas à noite que Lille mostra sua vivacidade. Os parques são simpáticos e a Citadelle, maior área verde da cidade, é como um pedacinho de floresta no meio de uma arquitetura predominantemente industrial. Ótimas exposições se renovam periodicamente, e o Museu de Belas-Artes, o segundo maior da França, é imperdível pela autenticidade de seu acervo. O Mercado de Wazemmes preenche o domingo de todos os habitantes da cidade, com suas cores, cheiros, sons, gostos. Um buquê de novas sensações, a cada domingo.

Hoje, sou eu quem repito: em Lille, o tempo é realmente péssimo. Mas isso nem incomoda, quando se trata de uma cidade com milhões de sóis interiores. Sejam bem-vindos à casa dos Ch'tis!

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